quarta-feira, 18 de outubro de 2017

do que é e do que talvez esteja

do que encontra
talvez esteja no desencontro
o encontro
do que é possível
talvez esteja no impossível*
a possibilidade
do que constrói
talvez esteja na reconstrução
a construção
do que conhece
talvez esteja no reconhecimento
o conhecimento
mas não considero que
do que ama
talvez esteja no desamor - ou sei lá, blá blá blá
o amor
ou outra situação
do que alegra
talvez esteja na tristeza
a alegria
não
em pleno 2017
altas fitas acontecendo
tá na hora da gente parar com isso de sofrência
mas logo que não tem receita de bolo
e como não dá pra saber onde estar
e com quem estar
pois em uns pontos não há controle
definitivamente
não há controle
ao menos
então
que se note onde não estar
e com quem não estar
e no mais
força e sorte nas caminhadas
mas esse final foi só memo pra rimar


*impossível: de lançar-se para além do está formatado e não se encaixa em um possível formato, e não um impossível de não acontecimento possível

sábado, 8 de julho de 2017

fracasso - ou puisia com pontos e feita com outra pessoa

e então foi perguntado...
o fracasso é determinado?
não.
mas como assim, se fracassamos?
sim, mas o que estávamos construindo poderia fracassar.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

um viver

o viver se arrasta com peso
tempo nunca foi aliado
tudo aquilo que desejo é ser
não mais uma pessoa alienada
nada
nada daquilo que cê toca se transforma
por que
cê grita
esperneia
chora
analisa o quanto cê foi uma pessoa
sabotada
sujeitada
enganada
o sistema taí
mas se cães ladram
a caravana passa
cê diz
propaga por aí
e outras pessoas dizem
que eu sou fatalista
ah
nem vem
é você
em você que falta esperança
cai aos seus pés
cê não pega
na sua mão tá tudo areia
esfarela
cê ajoelha
se ajoelha
é a voz do domínio gritando procê o que querem
não adianta
a esperança não vem duma cruz
jesus
tava se fudendo lá pregado
cê acha que alguém te falando de bem ou mal é luz
fecha os olhos pois o que tão te falando tá é muito
muito ofuscado
ofuscou
ofuscou a visão que cê podia ver do passado
diante de sequestros
estupros
assalto
de áfrica
mãe
de indígenas do brasil
do mundo
essa porra dessa crueldade tava
e tá ainda
pra todo lado
e cê vem com seu papo queu sou fatalista
dá uma segurada
queu ainda não acabei com a minha sina
eu quero tudo
quero todas as pessoas querendo tudo
pois não adianta
válvula de escape é mentira
luz
jesus
câmera
ação
ofuscou
nada
pior
cegou
cê não consegue mais olhar pros lados
ver o quanto de ações coletivamente podem ser feitas
desfeitas diante do que propagam de exploração
não vem
não
a questão é rachar esse padrão
que desola
isola
te coloca numa gaiola
cê quer festa
maconha
transa
bebida
mas e aí
sério que quer tudo de uma maneira
pelo menos
coerciva
arbitrária
o cicote estrala e não adianta
tapinha nas costas é apenas pra ver se a carne tá
preparada
então
força
sorte nas caminhadas
procê
procês tudo
pois a vitória não será dada
tira a porra da capa de pessoa heroína
acorda
não entra nessa na intensão de ganhar prêmio
não
não terá troféu
a revolução não será televisionada
será festejada
auto-organizada
nada de entretenimento
blá blá blá
meio termo
conversa fiada
quem tá

sabe que o equilíbrio se dá nas relações
não em conchavos
sim em ações
no reconhecimento e
conhecimento de si
na vontade
na potencialidade
e se cê esperava uma receita de bolo
sem maldade
esse escrito aqui chegou no final
no mais
tô aqui de passagem

domingo, 14 de maio de 2017

sobre saudades que sinto por algumas pessoas que já foram, ou que sendo, um dado momento serāo foram também - ou o que posso falar do que foi aquele choro

você e eu simplesmente geramos um algo forte e grande
pois
se não assim
esse outro momento - onde está acontecendo outras situações comigo e outras pessoas, ou apenas comigo - não seria uma lembrança que me conectaria com você
uma lembrança que me vem como presente
não presente de objeto específico
coisa
não
vem como presente
sim
de presentear
mas também como um presente de aqui e agora
nesse viver
abraços são algo que tem sido escassos nesses mares de cidades onde não há uma gota
nessa vastidão de pessoas humanas onde o consumo da cidade lhes rouba humanização - um deserto árido*, mas que não falta água, comida e dá até para se manter minimamente saudável, afinal, alguém tem que manter as máquinas ligadas, a energia elétrica funcionando para essas máquinas e, por fim, a última pessoa a sobreviver que apague a luz
noto que o tempo é uma mentira que passam muito tempo contando para nós**
isso é um ponto
minhas interações e momentos em conjunto comecei a entender e a tentar fazer com que não tenham tempo nem de quando aconteceram
tampouco o quanto ficaram acontecendo
tempo
há intensidade
se sente intensamente
pode-se saber como nos encontramos
passado os mares e os desertos do atual viver, essa pergunta não me interessa
nasci e então foram se encontrando as vidas de outras pessoas comigo
comigo que sou vida
as vidas da minha vida
entre abraços
beijos
toques ora de um carinho na cabeça
ora braço
ora no corpo
fomos nos encontrando
carinhos
escutar suas palavras de oi numa chegada
de ei! num aviso alegre e até
até
para que em outro momento possamos nos encontrarmos
ou não
pois somos pessoas passageiras entre nós mesmas
que não seja entendida uma coisa como ônibus (pessoas passageiras)
por exemplo
não
considero que somos passageiras enquanto uma situação que não há algo que grude
permaneça ou faça com que fiquemos juntas
fixadas para sempre
as pessoas se movimentam
e não apenas as pessoas se movimentam como não se pode esquecer que não há conhecimento de nada que se mantenha inesgotável debaixo do sol***
somos perecíveis
não viveremos para sempre
passamos
assim como
nem esse choro que bateu em mim se mantém
ou se manterá inesgotável debaixo do sol
choro porque notei que é um outro sentir
igualmente necessário quando me bate um sorriso
e bateu saudades de vocês
vidas de outras pessoas comigo
umas que não poderei reencontrar mais
outras que está difícil de reencontrar
outras que mesmo eu podendo reencontrar
pois posso pegar um ônibus
uma bicicleta
etc
mas que mesmo podendo não temos mais disposição de nos reencontrarmos - num dado ponto é até isso mesmo que tem que ser tanto para a outra pessoa quanto para mim
e
por fim
outras que mesmo com disposição e facilidade de nos reencontrarmos não estamos nos encontrando
é
bateu saudades
que sinto o quanto dá vontade de estar perto de vocês
mas que não desconsidero que é necessário vocês estarem longe para que hajam
para nós
outras caminhadas
experiências e sentimentos
sendo isso de estar perto ou longe se dando numa interação muito interessante e diversa - que, independente dessa escrita e você que lê, há o seu jeito diverso dessa interação
o lance é que tem momentos
situações e pessoas que
não ficam e nem vão embora****
são saudades


referencias que bateram e recomendo, tem umas musiquinhas tão bonitezas
*https://www.youtube.com/watch?v=AvuFMu0brIM - o clipe é uma doidera, não entendi ainda o que quer dizer, mas considero massa as viagens do siba com a karina buhr

**https://www.youtube.com/watch?v=yTARiMPJYrg considero muito interessante esse vídeo, considero que até os 15 min já dá a letra enquanto crítica, mas me bateu um pouco que depois fica uma coisa, sei lá, acho que é por causa de ser um trabalho dazacadimia, né...

***http://machado.mec.gov.br/images/stories/pdf/contos/macn003.pdf esse livro todo é muito massa, mas nesse caso em específico recomendo o conto o anel de polícrates

****https://www.youtube.com/watch?v=krgPPze689Y - considero que dá para beirar num romantismo, mas eu acho tão interessante a interação da música com os elementos que traz

sábado, 11 de março de 2017

curiosidade

o assalto da
curiosidade matou no gato
na gata
nas pessoas
todas
a força de ir além
de seguir as caminhadas
o assalto da curiosidade
fez brotar medo
insegurança - mas será que há segurança
frustrações - mas será que há expectativas
um travamento que foi
é
e tá difícil largar
de tudo
tudo aquilo que não larga
e nessa interação onde não se larga e não te largam
largar de tudo que cê tem para não te ter
largar de tudo que cê consome para não te consumir
e tá difícil largar
não flui
mas há mar
de águas profundas
que vem fluindo de lá
daqueles
ou desses
rios
que fluem
que brotam com vontade de nascente
com potência de força
com ação no movimento
e sobre a curiosidade
que flua

sábado, 7 de maio de 2016

dia das mães

eu perguntei
quer mais suco
ela com a barriga cheia
e não era mais de mim
pelo motivo de eu estar como um feto dentro dela
mas sim por ter acabado de comer bastante
naquele almoço
que era um dia antes
desse dia das mães
que não considero dia das mães
penso que é apenas um dia de comprar ou
quando quer comprar mas não pode
se frustrar
e considerar que amor não é presente
presente que
talvez para quem compra
pode ser um presente não presente
feito de dia após dia com ausência
mas eu perguntei
quer mais suco
e ela de barriga cheia disse
deus me livre
então fiz outra pergunta
por que deus vai te livrar de tomar um suco de laranja desse tão gostoso que eu fiz
ela disse
é

e feito com tanto carinho e amor
ela é religiosa
eu não
ela riu
eu também
afinal
por que deus iria livrá-la de tomar um suco de laranja daqueles
e assim aquele clichê de
dia das mães é todo dia
ali
sem clichê
era real
mesmo sendo antes do dia das mães
ali era dia
mais um dia
dela
e nosso

sexta-feira, 29 de abril de 2016

desculpa

desculpa hoje não
desculpa
hoje não
desculpa
não tenho nada
não
desculpa
desculpa
outro dia
desculpa
agora não
desculpa
você chegou na hora errada
e
com as pessoas erradas
culpa
hoje não
culpa
não tem nada
não tem nada de culpa
você não tem nada
que gostosura
se não é
talvez
agora
comece a sentir
é
não
não
comigo
não tem culpa nenhuma
nas mãos
aqui
comigo
apenas tem poesia
e no corpo
comigo
sentimentos
culpa
nada impede
mas aqui
agora
nada consta
culpa projetada para amanhã
amanhã
talvez
seja tarde demais
mas o lance é que
amanhã é outro dia
amanhã
amanhã é infinito
agora
agora culpa
depois
ah
aí é uma
ou mais de uma
escolha
disposição

mas aí
é de cê
assim como
se dispor a ter horas erradas
e a ser pessoas erradas
é
desculpa
mas fica uma pergunta
por que cê sente culpa